Armadilha
Fiz armadilha,
entrançando a madeira do desejo.
Semeei palavras,
grão a grão,
como quem traça um caminho.
Esperei, paciente,
que seguisses os traços do meu plano
e te entregasse,
por engano, à prisão do meu carinho.
Fiz armadilha
e aguardei na ansiedade de uma tocaia.
E quase morro quando o teu pé se aproximou do ardil.
Rodeaste,
desconversavas,
como desentendida, como se
não interessasse a ti o prêmio que eu
propunha.
Por fim cedeste,
mais por diversão que por vontade,
e adentrastes, lentamente,
na minha ARMADILHA.
Dei o bote: um momento em que o universo todo
se resume num instante onde a liberdade se separa
da escravidão...
Senti tua saliva quente na minha boca.
Sorri,
absorto a te contemplar, adorada presa,
sem perceber que, a partir de então,
ERA EU QUEM ESTAVA CATIVO.


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