MatracaDigital

MatracaDigital é um uma idéia, que ganha corpo e mente pensante em todos aqueles que amam o Maranhão, sua cultura e a sua gente. Nasceu como um projeto que visava enfatizar os laços entre a cultura popular maranhense e as tendências contemporâneas da arte no mundo. Em 2005 e 2006 foi um um programa de televisão. Já foi exposição fotografica, já foi festa, poesia e música e será sempre mais e mais... pois matracadigital é uma idéia... e uma idéia é tudo !

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domingo, 8 de novembro de 2009

Liberdade religiosa…

Fiz questão de traduzir as legendas ;) !

blasfemia_portugues

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cena da Cidade: atenção não embalamos geladeiras !!



Essa ai foi no Hiper do Shopping São Luis.No setor de embalagem para presentes tem um imenso cartaz: NÃO EMBALAMOS GELADEIRAS ? Será que tem gente que pede pra embalar uma geladeira pra presente ?! ;)- Eu tinha ido levar uma peça de picanha para embalar para presente mas desisti na hora, povo intolerante esse do HIPER ! CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR -

Posted by Picasa

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Gato da Lets...



Tão lindo quanto a fotografa é o gatinho da Lets ! Num momento de sensibilidade emocionante !
Haa... ia esquecendo: - CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR -

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ponte com poesia…



- CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR -

Minha amiga poetisa Sahamia Carol muito gentimente me presenteou um poema inspirado em uma foto minha. Fiquei emocionado e agora republico a foto “embelezada” pelo poema de Sahamia. Bem... não dá pra omitir que essa é uma obra a "seis" mãos já que a foto é fruto de uma excursão fotografica minha e da minha preciosa amiga Marília.

São Luis com mais cores e aromas…

holambra

domingo, 25 de outubro de 2009

Natureza… (Natal RN – 2009)


Veja mais fotos em www.flickr.com/photos/goisjr

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ABDUZIDA !!

Quantas vezes na vida fostes abduzida ?
Tirada do sono para vagar por ruas escuras, estranhas...
Quantas vezes na vida fostes tratada com risos, nutrida, iludida, te vistes perdida numa confusão tamanha ?
Quantas vezes na vida ficastes sem rumo, sem bolsa, contato ?
Quantas vezes colocastes o pé nesse laço, prisão sem paredes...?
Quantas vezes na vida morrestes de sede, de fome ?
Quantas vezes abristes teu peito ao golpe da sorte, essa pulsação tão forte que tira do mundo ?
Quantas vezes na vida horas viraram segundos insólitos, oníricos, contentes ?
Quantas vezes fostes tocadas por mãos tão amantes, paixão lascinante, beijos roubados ?
Quantas vezes na vida vivestes tudo isso antes ?
Quantas vezes pretendes ser
ainda, na vida,
subitamente,
abduzida ?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Filosofia…

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- CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR -

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Saudade

Sobre a pia do banheiro
Tua escova de dente é uma bandeira
tremula feito uma larga flamula da saudade
Fios do teu cabelo tecem caminhos
Sinto o terror de me ver sozinho
no mesmo espelho que já nos vi sorrindo
Fujo e vejo a marca do teu corpo na cama vazia
Tuas fotos espalhadas pela casa me sussurram coisas
- mas não explicam nada -
caladas, parecem ter medo da verdade
esse chão está marcado dos teus pés
Quem sou ? Quem és ?
Quem nos condenou ? o destino ?
Abro a cortina, quero sol, quero ar,
mas quem entra é o espectro do seu riso:
bonito, de olhinhos fechados.
E teu riso ilumina toda a casa
só meu coração permanece escuro...
Corro em vão, também quero ser iluminado
mas carrego o peso da minha idade,
o fardo de um passado,
e tua luz corre na frente
para um lugar distante,
onde não existo !

Oração…

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

BUFÃO !

bufão

As vezes ser feliz é para mim te contar histórias
como um bufão entrar nelas,
virar personagem
com máscaras de vilão, se preciso
com estrelas de mocinho
Dizer palavras como quem faz carinho
e colher teu riso

que tem a dimensão de um milhão de aplausos...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Poesia de quinta por Deila Maia

Pessoal

Sabe aquelas poesias simples e profundas, que a gente descobre por acaso, folheando um livro e que é exatamente o que a gente estava precisando ouvir naquele momento? Foi assim que descobri esta poesia no último domingo e por isso a separei para esta nossa Poesia de Quinta.

A poesia se chama EMERGÊNCIA, de Mário Quintana. Vejam que linda!!!!

Beijos borbulhantes

Deíla

EMERGÊNCIA

Mário Quintana

Quem faz um poema abre uma janela.

Respira, tu que estás numa cela

abafada,

esse ar que entra por ela.

Por isso é que os poemas têm ritmo

- para que possas profundamente respirar.

Quem faz um poema salva um afogado. 

PS: A leitura excessiva destes textos pode ocasionar dependência cultural.

sábado, 15 de agosto de 2009

Gourmet

 

Te amo a cada mordida
palavra sentida
na tabua do dia cortada
te bebo
e sinto o bouquet do teu riso
preciso aroma
me coma,
me coma,
me coma !!
te devoro a cada palavra
respiração arfada de tanto calar
pequeno gourmet
te rolo na boca
louca
em movimentos da língua imersa
perversa impressa presente
teu gosto semente, grão, comida
princípio de vida
me coma
me coma
és vida, és vida, vivida em mim...
Vida demais da conta
macrobiótica
lentamente devorada
a cada segundo
simplesmente viva
saliva
profundamente gente
sem deixar sabor algum de lado
amor mastigando a cada momento
umas trinta vezes...

GoisJr. agosto de 2009.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ouvindo Vinicius…

Dizia o poeta num tom de desleixo

Mas não o bastante para ocultar o sombrio de suas palavras

"O amanha não quer ver ninguém bem..."

É preciso ter medo

Hoje é o dia

Só hoje

Em que é possível dizer: serei Feliz !

 

José Caldas Gois Júnior em maio de 2009.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Espaço Tequila Blues no youtube !

Confira em vídeo  um pouco da emoção do Espaço Tequila Blues !

quinta-feira, 26 de março de 2009

Poesia de quinta por Deíla Maia

Pessoal,

Nesta última quinta-feira de março, mês da mulher, resolvi escolher uma poesia de uma poetisa maranhense com a qual eu me identifico muito, que é a DAGMAR DESTERRO.
Ela foi uma poetisa maranhense, formada em Ciências Jurídicas e Sociais e também em Pedagogia, que abrilhantou o nosso mundo durante 78 anos (1925 a 2004). Foi membro da Academia Maranhense de Letras. Esta poesia faz parte da obra "Pedra-vida", publicada em 1979.
Espero que no corre-corre do dia-a-dia vocês encontrem um minutinho para apreciar esta gota de poesia no imenso mar da vida.

Beijos

Deíla


CORRIDA

Dagmar Desterro

No avanço do tempo corre a vida,

mas nesse tempo há pedras espalhadas,

pedras agudas, carnes esfarrapadas,

sangue jorrando de cada ferida.



O tempo açoita a vida noite e dia

e ele chora, tropeça, levanta e continua.

Só e esperança anima a travessia;

e a alma corre, descabelada e nua.



E a vida não tem tempo, ao tempo, em meio,

de ver o belo existente no caminho;

não perder na corrida é o seu anseio;

sua atenção conserva em desalinho.



No embrião da vida, no tempo, avanço.

Subidas e descidas ─ tantas conheço:

e na vertigem do correr me canso.

Procuro, em vão, meu horizonte do começo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Papilio machaon

A Papilio Machaon bate suas asas frágeis como finíssimas folhas de papel amarelas tendo abaixo, próximas da calda, duas bolas vermelhas que simulam dois grandes olhos ou, num presságio, a imagem de satélite de dois grandes furacões.

Seu primeiro vôo se desenvolve com tanta graça que um observador desatento das aulas de biologia não acreditaria que aquele lépido alado foi há muito pouco uma rastejante lagarta.

A pequena Papilio Machaon talvez nunca tenha merecido um programa na Discovery ou no Animal Planet, nenhum verbete maior que meras cinco linhas no meu antigo livro de zoologia e um verbete ainda menor na Wikipedia ( faço essa referência só pra parecer moderno :) e dizem que é desprezada até pelos predadores. Existem coisas intrigantes sobre ela como o fato de que “fede” e de que as manchas nas suas asas dão a ela uma imagem agressiva, o que, definitivamente, não corresponde à sua real natureza, mas que ajuda a espantar os predadores. Mesmo no diminuto mundo das borboletas, portanto, a Papilio Machaon não pode ser considerada uma espécie dominante, mas somente uma borboleta comum.

Todos os anos, entretanto, obedecendo a uma estranha e secreta ordem milhares de Papilio ou Borboleta Rabo de Andorinha começam uma viagem que dura 30 dias, o que também não parece muito enquanto viagem, mas para a Papilio é uma viagem que dura toda a vida adulta delas e que somente acaba com a morte.

No dia 16 de abril de 2009 completa um ano de morte de Edward Norton Lorenz um cara que não entendia muito de borboletas nem de viagens, mas que como climatologista se preocupava muito com o imprevisível e com a incapacidade humana para prever o acaso e que é um dos meus ídolos já faz algum tempo.

Há, alguns anos lendo um livro sobre a “teoria do caos” descobri Edward Lorenz e soube que em 1998 o sistema de previsão de tempestades tropicais dos Estados Unidos diagnosticou a formação de uma tempestade tropical sobre Louisiana que ocorreria em três dias.

Edward Norton descobriu que havia sobre o oceano pacífico uma pequena diferença nas medições executadas - causada pela alteração do micro-clima em torno das frágeis Papilio Machaon voando preocupadas em cumprir a sua sina migratória - e que estas alterações poderiam prever uma pequena diferença no deslocamento das massas de ar próximas ao Alaska.

Em função das diferenças, houve uma realimentação de dados nos computadores, estes refazendo os cálculos previram que a formação da tempestade tropical em Lousiana não ocorreria, mas haveria sim a formação de um tornado de proporções gigantescas em Orlando, na Flórida, o que realmente ocorreu em 22 de fevereiro de 1998.

Nos últimos tempos, talvez de forma um pouco intempestiva, tenho tido a sensação que está na hora de começar a minha jornada pela vida adulta. Não posso mais me dar o direito de me contentar com ambições de larva, a natureza grita que tenho asas e agora é hora de alçar vôo, é sempre assim!

Não tenho grandes ambições, quem me conhece sabe, mas algo em mim me dá conta que, “guardadas as devidas proporções”, é hora de iniciar a longa viagem da maturidade que se acabará é certo somente com a minha morte e que cada batida de asas, por menor que seja, é parte de um grande e orquestrado sistema cósmico que talvez esteja tão além da minha compreensão quanto uma foto de satélite esteja do entendimento de uma Borboleta Andorinha.

Recuso-me, entretanto, a somente seguir viagem; No fundo quero entender os motivos quero apreciar a paisagem, quero ousar escolher os meus caminhos mesmo que essa ousadia seja mera ilusão e ao fim eu esteja tão-somente cumprindo o meu papel no “Grande Plano”. Numa segunda alternativa, cada bater de asas corresponde à grande responsabilidade de inflar a vela dos catamarâs no atlântico ou levar agonia aos povos do pacífico e isso é realmente grave.

A uma pode ser que não caiba a nós decidir se iremos causar furacões ou apenas imperceptíveis ventinhos marítimos, neste caso direi apenas que me preocupo em fazer a minha parte, influenciando o “micro-clima” ao meu redor! A duas digo que talvez possamos fazer a diferença e, talvez com algum esforço útil, seja possível influenciar no mundo.

Desconfio que o impulso secreto que move as borboletas andorinhas de dentro dos seus casulos é o mesmo que move todo homem para os grandes desafios da vida e é praticamente impossível resistir a esse chamado, bem como não posso simplesmente denominar a isso de “acaso”. A viagem, entretanto, é um momento de “quase-liberdade”, quero crer que sempre existirá momento em que qualquer um pode decidir que caminho tomar mesmo sendo impossível afirmar que esse seja o melhor caminho. Ousarei tentar!

Nada afasta o fato de que ao fim da viagem, como prêmio ou como desilusão, nos encontraremos com a morte, essa é à parte “não caótica” da história, variável perfeitamente determinada na vida de uma Papilio ou de uma homo sapiens e o tempo está contra nós.

Já sinto o vento sob minhas asas e ver o mundo daqui de cima é ao mesmo tempo surpreendente e aterrador, confesso que tenho medo! Não sei se o nosso bater de asas inflará as velas no atlântico, fará sorrir os preguiçosos à beira mar, esvoaçará o cabelo dos amantes ou varrerá as terras do pacífico em grandes ondas colossais, mas antes de tudo, seremos vento ou tempestade muito depois de termos deixado de ser gente e isso é o verdadeiro, grave e complexo milagre!

José Caldas Gois Júnior

domingo, 8 de março de 2009

8 de março - Para todas as mulheres do mundo !

No final dos anos oitenta me inscrevi em um curso denominado de “História Natural da Sexualidade”. Nada mais apropriado. Afinal, nada mais natural que a sexualidade, não é ? Pois bem, o curso era sobre essa historia.
Nossa professora, a intelectual Maranhense Beth Bittencourt, desvendou com genialidade todos os aspectos do julgo e poder a que foram submetidas as mulheres ao longo da história. Grande lição, com ela pude entender um pouco mais mulheres e homens, entendi mais minha mãe, meu pai, minha companheira e entendi como todos somos vitimas de circunstâncias históricas que nos impedem de sermos realmente plenos e felizes nas relações homem-mulher.
Mais tarde vim a conhecer um profundo trabalho sobre os chamados Matriarcados Ancestrais, nele, revelava-se por inúmeras provas antropológicas e arqueológicas que no passado remoto eram as mulheres que detinham o poder no mundo e que por essa razão o conceito de poder era bem diferente do atual.
Estudos parecem afirmar que há cerca de 30 mil anos atrás existiu um modelo de sociedade onde o exercício do poder social era privilégio das mulheres, modelo esse que se manteve em muitos lugares do mundo até cerca até por volta do século II antes de Cristo.
Lendas e mitos antigos, como o mito das Amazonas, que se repete com variantes em inúmeras culturas, além de achados de estátuas retratando figuras femininas, em geral ligadas a posições de mando ou mesmo representando deusas e a própria terra, indicam de maneira veemente que o passado foi feminino.
A explicação científica para isso é dada pela vertente materialista de que o controle dos meios de produção determina o ponto de poder e de que a partir desse ponto se criam as ideologias que o tentam preservar e tudo indica que foram as mulheres que inventaram a agricultura, primeira forma humana de produção de bens consumíveis.
Num mundo muito mais hostil que o nosso, mulheres e suas proles não podiam se deslocar com facilidade em busca de caça e coleta como faziam as hordas de homens. Parece, de fato, que os primeiro agrupamentos sedentários foram iminentemente femininos, as mulheres fundaram a sociedade como a conhecemos e, possivelmente, as primeiras cidades.
Pode parecer estranho, mas é bastante provável que nessa época não existisse o entendimento de uma ligação causal entre a cópula e a fecundação.
De fato, homens e mulheres apenas começavam a entender o fenômeno da causação, que somente viria a ser estudado em profundidade pela filosofia grega e, no caso, estamos falando de uma causa, o coito, que produz um efeito, nove meses depois, tempo demais para que o homem e a mulher primitivos pudesse estabelecer um elo de causa e efeito entre uma coisa e a outra.
Mulheres sedentárias inventaram as cidades ou, pelo menos, o embrião delas. Com a sua fixação à terra as mulheres criaram também a agricultura e, por força do explicado acima, se achavam auto suficientes pois não existia nada que indicasse que precisassem de homens para nada nem mesmo para a manutenção da espécie.
Mitos e tradições ancestrais em geral explicam a concepção como resultado de certos rituais de passagem – pule uma fogueira depois da primeira menstruação e fique grávida – ou mesmo do simples amadurecimento da mulher, nada mais lógico, pelo menos para as mulheres ancestrais.
Sim, no modelo proposto dos matriarcados as mulheres eram promíscuas. Livres de qualquer ideologia machista, que somente seria necessária tempos após, como veremos, elas faziam sexo por prazer, por mais que isso possa lhe causar, hoje, escândalo.
Note, em ênfase, que elas não sabiam nem ao menos que precisavam de sexo para engravidar. O processo era o seguinte: hordas de homens caçadores e coletores passavam pelas comunidades sedentárias e em troca de alimento, grãos cultivados, ofereciam carne, a dos animais que matavam e a sua própria carne, para mulheres famintas por sexo que copulavam indiscriminadamente com aqueles que lhes pareciam mais atraentes sem qualquer outra preocupação que não a de terem prazer.
Sim, o prazer sexual parece uma forma naturalmente eficiente de garantir a perpetuação da espécie mesmo quando as partes envolvidas no coito não possuem consciência da finalidade reprodutiva do ato sexual.
Como essa pratica se iniciava muito cedo, por vezes antes mesmo da primeira menstruação, quando a mulher se tornava fértil em geral já concebia o que confirmava o mito de que a concepção era fruto do mero amadurecimento ou dos ritos de passagem para a fase adulta. A figura tradicional do homem primitivo, arrastando a sua mulher pelos cabelos, parecem não ter nenhum fundamento antropológico, talvez, alias, as coisas tenham ocorrido ao contrário. (Hum... me bate... me joga na parede ! ;).
Mas, como mudamos de um modelo feminino de poder para um modelo tão masculino ? Mais uma vez a teoria materialista indica como fator preponderante uma causa material, é claro: o surgimento da pecuária.
Em algum momento da história os homens parecem ter aprendido a domesticar e criar em cativeiro alguns dos animais que caçavam. Isso permitiu que dominassem um importante fator de produção na sociedade, a produção de proteína, além de lhes permitir de igual modo certa fixação à terra, sedentarismo. Produzir proteína é mais difícil que produzir carboidratos e outras fontes de alimente. Por outro lado os homens criadores agora começaram a entender, observando os cercados onde confinavam seus animais, que nos cercados de fêmeas onde não se punha um macho não nasciam crias. Opa, temos algum valor então nesse negócio de procriar, devem ter pensado.
Richard Dawkins, autor do célebre “Gene Egoísta” já nos revelou a imensa importância da preservação genética para os viventes e de como nos comportamos tal qual marionetes dos nossos genes em boa parte das situações. Na questão ora tratada parece não ter sido diferente.
Um fato decisivo nessa história é que, ao contrário das mulheres, os homens, apesar de agora terem consciência de que tinham um papel no processo de perpetuação da espécie, não podiam determinar quais “crias” eram suas e quais não eram. Isso era grave!
A única forma possível de o homem primitivo garantir a sua prole era, de fato, a dominação. A única forma de os homens terem a certeza da sua descendência era subjugar as mulheres social e sexualmente e foi o que fizeram com a sua força física e, depois, criando mitos e ideologias que, como toda ideologia, justificavam essa dominação. E ideologias são prisões quase perfeitas !
A crítica dialética nos mostra que a ideologia é sempre posterior à realidade. Nossa visão ibérica tende a explica o par idéia x realidade no sentido de que toda realidade foi antes pensada. Ledo engano. A realidade existe por fatores materiais, como, por exemplo, alguém que um dia ter colocado um bicho num cercado. Essa ação altera o quadro dos meios de produção e da própria sociedade e apenas posteriormente os novos donos do poder começam a pensar uma ideologia que justifique a dominação.
Em torno das mulheres foram criados muitos mitos que ainda hoje estão no inconsciente coletivo da humanidade produzindo os seus efeitos (maléficos).
O mito da fragilidade feminina, por exemplo não faz mais nenhum sentido numa sociedade tecnológica como a nossa onde a força física vem sendo substituída ou multiplicada com a ajuda da máquina. Há mulheres modernas, entretanto, que não admitem trocar um pneu de carro, mesmo diante do seu igualmente moderno macaco hidráulico que deixa o carro com o peso de um balão. Ao fazerem isso se comportam conforme o paradigma ideológico e se submetem ao processo incapacitante que as inferioriza achando que estão, em verdade, cumprindo alguma destinação natural.
Poderia citar centenas de outros mitos, na verdade o processo de criação dos mesmos nunca parou, nem mesmo agora, mas enfocarei apenas mais um, o mito da santidade feminina.
Esse é um mito base. Santificar a mulher não é nada bom. Ao contrário. A ciência tem mostrado que mulheres e homens são passíveis dos mesmos desejos e aspirações tanto no campo das aspirações materiais (ganância) como dos desejos sexuais. O mito da santidade é uma jaula, portanto, jaula ideológica que visa criar um tipo para a mulher (irreal e não natural) que justifique a repressão sexual e seu conseqüente sucedâneo, a repressão social.
O modelo da mulher “limpinha, casta e prendada” que a sociedade prezou por tantos séculos é antinatural, não irei mais discorrer sobre isso e seus efeitos são terríveis. Primeiro pelo fato de que, ao propor um padrão de conduta irreal faz com que as mulheres não somente reprimam os seus desejos (naturais) como, isso é o mais grave, se culpem e se sintam “pecadoras”, infratoras, antinaturais o que acarreta um processo pernicioso de culpa e repressão que as incapacita. Homens, cujo modelo liberal não exige tais coisas podem viver seus desejos sem a culpa e a vergonha incapacitante e, portanto, são livres não somente para viver como possuem, anacronicamente, o poder de julgar e condenar as mulheres.
O efeito psicológico imediato que produz graves conseqüências sociais é que mulheres que se consideram “desajustadas” e fora do padrão “normal” aceitam muito mais facilmente o julgo e a repressão pois identificam a força opressora como força “redentora” ou expiadora das suas “falhas e pecados”. O modelo santificado feminino é, portanto, boa justificação para a dominação e nada mais.
Na universidade em que leciono é conferido todos os anos um prêmio aos melhores alunos. Tenho observado que além do fato de o número de mulheres ter crescido imensamente em comparação ao número de homens nas minhas salas de aula elas são sempre maioria no grupo dos melhores alunos.
Observei que há três anos o prêmio Sousândrade, é assim que se chama em homenagem ao magnífico poeta maranhense, não sai para um homem. São as mulheres retomando o poder da forma mais eficaz: retomando os meios de produção e essa talvez seja uma imensa revolução pela qual a nossa sociedade está passando graças à retomada pelas mulheres do seu merecido lugar social.
Muitas mulheres atuais, entretanto, são vítimas de uma mesma armadilha a qual a psicologia recentemente nomeou de Síndrome de Estocolmo mas que a crítica Marxista e mesmo a psicanálise freudiana já haviam buscado desvendar muito na antes e que se caracteriza, primordialmente pela aceitação ideológica das posições de senhor e escravo por aqueles que são submetidos de modo que, mesmo livres da opressão física não se libertam da opressão ideológica e continuam repetindo o discurso do dominador.
Na denominada síndrome de Estolcolmo a vítima, tentando, inconscientemente, minorar a angustia da dominação, tenta se identificar com seu captor muitas vezes assimilando o seu discurso que justifica a opressão inflingida. O termo foi cunhado pelo criminólogo e psicólogo Nils Bejerot em 1973.
A psicanálise tem se ocupado do assunto e revelado que o processo de dominação senhor-escravo nem sempre é tão claro quanto parece e que existem motivações surpreendentes que podem levar o submetido à colaborar com a manutenção da submissão. A total irresponsabilidade pelos seus atos – atos do subjugado – pode ser uma destes fatores.
De fato, quando alguém se encontra subjugada à vontade de outro ele não pode ser responsabilizado pelos seus atos e nem mesmo pela sua própria subsistência, que passa a ser inteiramente de responsabilidade do seu opressor.
A irresponsabilidade para com o próprio destino e para com os seus próprios atos pode ser uma condição “viciante” que leve, inconscientemente, o subjugado a sabotar a sua própria libertação.
Estamos no momento em que as mulheres retornam materialmente ao local de poder da qual já foram soberanas. Fatores materiais como a falta de mão de obra nas duas grandes guerras, que obrigou as mulheres a ocuparem locais de trabalho masculinos; a pílula anticoncepcional, que destroçou parte da ideologia da repressão sexual feminina e outros fatores criaram as condições estruturais à revolução, falta agora a construção ideológica. Mulheres no poder não podem continuar a repetir o velho discurso machista ou, o que é pior, buscar se comportarem de acordo com um modelo “viril” de poder.
Ter uma conta bancária, dirigir, ter o próprio carro, ter um curso superior são conquistas materiais incríveis que exigirão a sua bula.
Num mundo de exames de DNA a preços módicos nenhum homem precisa mais “encaixotar a sua helena” para garantir a legitimidade dos filhos. O corolário lógico disso, só pra exemplificar, é que quando a mulher moderna encontra com um homem que entende não ser mais o guardião da sexualidade feminina ela fica sem o cinto de castidade da história e tem que desenvolver a sua própria responsabilidade sexual.
Mulheres e suas contas bancárias, às vezes maiores que as dos maridos, terão que assumir, de igual modo, a responsabilidade econômica da família e muitas já o fazem.
Mulheres que sobem em palanques terão que ter responsabilidade política pelo destino coletivo de homens e mulheres; mulheres que pilotam avião também.
Portanto o grande choque que parece aguardar as mulheres no limiar dessa imensa revolução é um choque de consciência. A consciência de que o fim da escravidão traz responsabilidades sociais pesadíssimas.
Mais uma vez vemos a maquina recôndida da síndrome em seu laborioso trabalho de manutenção do status quo e todo dia somos surpreendidos com mulheres “modernas” repetindo velhos jargões machistas como aqueles que dizem que “mulher dirige mal”; “que trabalhar com mulheres é mais difícil que trabalhar com homens porque mulher dá chiliques”, “que homens têm mais dificuldades de ser fieis que as mulheres e que isso justifica a traição masculina” e tantas outras idéias-lema que não são outra coisa senão sintomas de uma ideologia cunhada com o intuito de dividir a sociedade entre machos e fêmeas mantendo os primeiros numa posição de superioridade.
Nada disso! A ciência parece indicar que as mulheres criaram no passado um modelo de sociedade feliz cujo elo de ligação era o amor maternal à prole e que foi suplantada por uma sociedade machista onde o elo de ligação era a imposição da vontade soberana pela força.
A retomada feminina aos locais de poder pode ser verdadeira revolução se as mulheres souberem cunhar a sua própria ideologia “gentil” onde homens e mulheres possam repartir a condução da sociedade de maneira “sensível”. Se as mulheres, que estiveram preparadas para redescobrir o corpo e o prazer, importante passo no processo de libertação, estiverem também devotadas a descerem dos altares de deusas frágeis acorrentadas e trocarem o pneu do seu próprio carro histórico, assumindo o ônus da liberdade e não ocupando o lugar dos homens e herdando seu modo viciado de administrar, teremos, no futuro, uma sociedade mais feliz, como, aliás, todas as mães querem para os seus filhos.

José Caldas Gois Júnior

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Alquimia

O poema é alquimia, transformação
chumbo que vira ouro no cadinho louco de um feiticeiro
estorvo que vira tesouro
saudade que vira canção
Um poema que revida à sorte
que cospe na cara da morte
lança a luz na sua vida escura...

beba as letras desse poema
são feitas do meu próprio sangue
têm o traço do meu coração demente
Meu amor estou doente
doente de você
Doença para a qual não quero cura
sandice, espécie rara de loucura
agora só me resta sofrer...

Gois Jr, 2009.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Indo e voltando...

mais um dia no cotidiano,
mas sem o amago,
subtrai-o quando era mais novo,
decretei-o como estorvo,
caracterizei-o, julguei insano,
digeri-o todo em meu estômago

Carlos Emílio em Algo Mágico.
http://algomagico.blogspot.com/2009/01/indo-e-voltando.html

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Quase tudo !

Só sei que ao teu lado não quis mais nada
e foi tão bom me sentir completo
sei que as vezes me senti pequeno,
mas tambem sempre me senti bastante
Não conheci o prazer te ter inteira
mas te amei de qualquer maneira
e esse amor...
Esse amor foi quase tudo...

Gois Jr em janeiro de 2009.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

E por falar em coragem...

E por falar em coragem
essa coisa insana
onde Darwin revira no túmulo
essa rebelião aos genes
esse desejo de confrontar o destino
esse desatino de mudar o mundo
onde somos mais loucos
somos também mais humanos.

E por falar em coragem
esse vício de poucos
esse esporte de loucos
essa dança de insanos
onde mudamos os planos
onde escondemos os danos
onde descemos da vida
lambemos a ferida só pra...
sermos humanos !

E por falar em coragem
me lembrei daquele amor
que você desprezou por medo da sorte
Condenou-lhe a morte
destino dos fracos
que desafiam o destino.

E por falar em coragem
essa honra dos doidos
dos que serão aniquilados
dos que não terão passado
(Um tiro na cabeça dos seus loucos planos)
Mortos que foram por não terem tido a coragem de ser covardes !

Gois Jr em janeiro de 2009.

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