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MatracaDigital

MatracaDigital é um uma idéia, que ganha corpo e mente pensante em todos aqueles que amam o Maranhão, sua cultura e a sua gente. Nasceu como um projeto que visava enfatizar os laços entre a cultura popular maranhense e as tendências contemporâneas da arte no mundo. Em 2005 e 2006 foi um um programa de televisão. Já foi exposição fotografica, já foi festa, poesia e música e será sempre mais e mais... pois matracadigital é uma idéia... e uma idéia é tudo !

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

RASTRO DE MENINA

RASTRO DE MENINA

Serviu-me a razão como subterfúgio
Justificativa sórdida
Pra fugir de mim mesmo
Substrair minha coragem
Agregar tentativas
A este sofrimento que é a vida
Existência enfadonha, mesquinha
Que apequena, que emudece
Serviu-me a razão como pressuposto fundamental
À minha trajetória ululantemente vazia
Perfídia minha, contra o meu próprio ser
Rancorosa e mundana, que calcula e obtém resultados
Afasta o suculento figo, da figueira distante
Por nada valer ao estômago vazio
O doce que as mãos não alcançam
Ah, mas se esquece, essa minha mente tão fria
Que ao romântico basta, muitas vezes, a visão do objeto amado
Que o bem da vida é apreendido ali, no olhar, na saudosa memória
Miserável razão, infeliz, afasta de mim o sabor, o brilho do rosto
O doce sorriso da face que marca a memória
Que entumece o peito e arrefece o sofrer
Preferia ter morrido, mais uma vez
Que o bater do coração se transmutasse no bater de estacas a transpô-lo
Que o tic-tac do relógio da minha cabeceira anunciasse o estopim de uma granada
Que à partida do meu carro seguisse uma explosão repentina
Que o meu espresso curto, que tomo de um só gole, fosse só cianeto
Que a chuva fosse dilúvio, que o prédio desta existência desabasse, implodisse, inundasse
Ah, de que vale o paraíso perfeito
Se é feito só de sol, areia e água do mar
Neste jogo, que se perde ou se perde
Sol que não me acomoda, areia que não me sacia, água que não consigo beber
Quisera passear entre rios, tragar a cachaça na fonte, chamar-te de inconfidente
Menina bandida, mas minha, que escolhe o horário de sua própria partida
Que volta ferida, mas sem sentir dor
Amor de vai-e-vem, donzela livre
Pediste passagem, deixaste teu rastro
Marcaste o caminho
Mas eu me perdi
Mesmo assim.

Hugo Sauaia

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Palhaço

Há, coração, não me faça rir (ou chorar), seu palhaço !

Jurei não mais seguir teus passos, que sei serem enganosos. Não me venha com piadas agora !

Sei que te acostumastes a me ver assim, pau mandado do desejo. Mas será que não notas que já é chegada a hora de parar com as brincadeiras ? Que já cai demais, que já sofri tanto com tuas asneiras que as vezes não posso ficar nem de pé ?

Ontem precisei ligar 190, chamar o SAMIGOS, estes sim, equipe de fé. Prescreveram doses homeopáticas de vinho tinto e blues na veia. O caso era grave, tive que ser removido para o bar mais próximo. Melhora geral, recuperação positiva após sessões de musica boa e cebola empanada, santo socorro de urgência.

Mas hoje, passado o efeito paliativo do tratamento, uma espécie de socorrão sentimental, vem você, coração, com as suas sopinhas. Não, não quero. Hoje nada de escrever poesias ! hoje eu quero uma prosa direta, palavra concreta, nada, nada de melodia, por favor, coração, pare !!

Porque, coração, esse duelo tão cruel com a razão ? O que perdes tu se ela um dia ganhar uma batalha ?
Serás, então, por acaso, menos coração ?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

MALDADE

MALDADE

Tu podes compreender minha dor
Eu posso entender tua maldade

Eu pago teus erros com amor
tu pagas meu amor com saudade

O cravo brigando com a flor
não conhece o que é felicidade

Eu pago teus erros com amor
tu pagas amor com maldade

Vivemos vivendo uma dor
que grita meu nome: covarde!

Covarde !
Covarde !
Covarde !

Tu entende os meus erros de amor
Mas pra conhecer o amor, já é tarde !!

domingo, 15 de janeiro de 2012

LEVA

Quando partir leva como um presente,
essa palavra mais torta,
minha natureza mais morta,
e essa pausa antes da ultima frase não dita.

Leva o meu manual de poemas,
e a minha lista de temas,
faz o que quiseres com ela.

Leva uma cor do meu dia,
comida da geladeira,
O que for preciso para não te sentires sozinha,
migalhas juntadas da nossa cozinha,
digitais no teu corpo suado,
meu sorriso estampado num quadro.

Leva, por fim, em tua boca, o meu gosto mais forte
o sabor o meu melhor corte,
do pedaço mais agridoce de mim.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

NINHO DE PALAVRAS

Me pedes um poema que
brinde a nossa amizade
mas recomendas,
com incrível maldade,
que seja um poema singelo.

Obstinado me ponho a caçar o belo
com ele fazer tua prenda,
que quero que te surpreenda
e seja igual ao meu carinho.

Almejo a
beleza da pequena flor,
a tinta do céu,
asas de passarinho,
cheiro de cravo e canela,
pensar em coisas belas,
juntar palavras
como num ninho.

Uma cor,
um brilho,
uma palavra,
tudo que traduz beleza e graça.

Pétalas,
azul,
e poesia,
tudo que nos traz alegria.

Teu sorriso aberto,
quero ter sempre perto,
possibilidade da tua presença.

Por fim,
queria soar esse poema com delicadeza,
entoa-lo como fosse um hino,
mas diante da tua beleza
minha boca parece um sino.



domingo, 15 de maio de 2011

Doce infância !

sábado, 22 de janeiro de 2011

Maior loucura !

Sabe qual minha maior loucura ?

Que me arranca da cama em noites de lua, que abre a janela, que move minhas pernas, que me assanha o cabelo com o vento da rua ?

Você certamente não sabe... e, em verdade, nem eu sei bem ao certo...

Penso que durmo quando estou desperto, penso que vivo enquanto apenas sonho....

Mas, às vezes, tenho um medo medonho de vivendo morrer ou morrer vivendo...

Sabe qual a minha maior loucura ?

Você, certamente, não sabe...pois, em verdade, ninguém sabe de nada....

É que em noite lua a humanidade sonha acordada, desperta, corre às janelas, desce por cordas de sobre as sacadas, afunda os pés na areia dalguma praia encantada donde a lua parece maior, mais bela, prateada....

Sabe qual a minha maior loucura ?

É que às vezes, em um sonho, sinto como se estivesse acordando da vida....

Gois Jr, em outubro de 2000.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Salvas

Salvas de palmas para uma mão na outra

Para os dedos entrelaçados

Para dois corpos lado a lado.

Aplausos a toda saliva trocada

A toda palavra disparada de uma boca, como uma flecha, em busca de ouvido carente.

Tiros de canhão e urras para os lábios colados

Para o algodão do afeto sobre todas nossas feridas da alma

Aos dedos que correm, com calma, para transmitir conforto ou para lembrar que amam.

Nosso choro convulsivo em honra das mais augusta das magias

- e o mais esquecido ponto de todas as ciências -

ao magnetismo, à força, à gravidade, à entropia

ao maior de todos os encantos:

um ser humano diante de outro ser humano !

Seja na hora do tiro,

Seja na hora do beijo.

Seja na hora do gôzo,

seja na hora da dor.

Ninguém escapa ileso da presença do outro,

ninguém sai incólume das garras do amor !

José Caldas Gois Júnior, janeiro de 2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Balada da mulher-lycra versus o homem-bomba.

Por meu compromisso com a loucura,
tantas vezes quebrado,
eu esperei você explodir, como uma bomba,
desfragmentar,
decompor.
Queria os teus cacos, cansei cedo de você tão inteira.

Por meu compromisso com a loucura
te acendi e assoprei nos teus cabelos,
queria ver o fogo que saisse deles.
Cansei cedo de você, assim, tão inteira.

Pelo meu compromisso com a loucura,
queria tuas cinzas,
teu avesso,
tua brasa,
os restos da tua casa,
teus despojos após a batalha.

Por meu compromisso com a loucura
te insuflei,
enchi o teu dia de tristezas, de alegrias.
Dei espaço pra que ficasse repleta de poesia e paixão e
então aguardei, na ansiedade, um estouro...

Mas és sempre tão inteira, tão coerente,
resiliente, mulher-lycra...
Eu queria o colapso, a desordem, o teu caos.
Mas tens sempre a mansidão do fundo dos oceanos sobre os mares mais revoltos.

O teu pavio é sempre mais longo do que a minha paciência !

(Atenção: a lycra é uma marca registrada da dupont, a mulher-lycra não !)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mei´sozinha…

Era o melhor que podia acontecer: te encontrar mei´sozinha por ai,

te fazer um gracejo e cê sorrir, te fazer um pratinho e cê comer.

O melhor que podia acontecer foi nunca pensar em desistir te falar pra ir, você não ir; mas falar até você ceder.

O melhor que podia acontecer foi brincar de brincar de seduzir,

ficar preso ao tentar te aprender, te prender ao deixar você ir...

Cê foi o melhor que podia acontecer, mas eu nem sei quem agradecer, por cê nascer, por cê crescer e escapulir do seu quintal aqui agora é carnaval depois que cê apareceu.

E o melhor que podia acontece foi eu tentar te enganar; você fingir acreditar e fingindo assim me iludir pois o melhor que podia acontecer foi te encontrar mei´sozinha por ai...

Gois Jr., outubro de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

FILME

Hoje está passando um filme de terror

Para sair nas ruas mantenho os olhos bem abertos

Para fugir tenho pés sempre espertos

Por que, hoje, está passando um filme de terror.

 

Hoje está passando um filme de terror

Velhos fantasmas me mantêm desperto

Este cinema me parece tão deserto

(Parece não haver ninguém por perto)

- E eu nem ouso olhar em volta para saber se tem -.

 

Hoje está passando um filme de terror

De repente uma voz no autofalante

Meu coração para por um instante

Pois está passando um filme de terror.

 

Uma imagem surge na tela

e minha alma então congela

Pois está passando um filme de terror.

 

Mas a voz que ouço então é tua

E na tela estás solta e bela

E tua presença vai dissolvendo o escuro.

 

Hoje tá passando um filme de terror

Mas teus poemas desfazem o medo

Guardo teus versos em segredo

Como um exorcismo qualquer

Pois, hoje, ainda está passando um filme de terror.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

SOMBRA


- CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR -
Publico aqui mais uma poesia da minha amiga filósofa e poetisa Evelin Lindholm, espero que gostem tanto quanto eu gostei.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Minhas palavras… sou eu !

escrever

Escrevo por que preciso !

As palavras me buscam, eu busco as palavras,

como se eu colocasse parte de mim pra fora para me ver à luz do dia !

Conhecer minhas entranhas, me explicar  pra mim mesma.

Me mostrar quando  não me vejo,

me ver melhor, quando me escondo,

é como se eu respirasse a mim mesma quando me leio !

 

Evelyn Lindholm

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Confissão !

BARRo

Em verdade queria poder te moldar,
mãos sujas do barro da vida,
te converter em monumento.

Pegar cada curva do teu corpo,
no seu momento mais louco,
e tornar verso, tornar poema.

Queria fotografar tua alma,
num momento de calma,
te falar num canto..

E então te deixar liberta,
flutuando ao sabor das vontades
embalado apenas pela certeza
de que estão já eras
para sempre minha.

Gois Jr. 07:12 - 20/06/2010

domingo, 25 de abril de 2010

E por falar em Alice…

ALICE !

Como que caído do buraco do Coelho

Num mundo nonsense de uma Alice de imaginação tão cheia

Sou todo estranho; aprecio ser espanto !

 

Pintor de quadros realistas

Fotografo de fotos surreais

Advogado artista

Aprendiz dos meus filhos

Mestre dos meus pais

 

Poeta lírico num tempo de poesia concreta

cético com pensamentos transcendentais

Romântico obsceno

Um adversário ameno,

Um amigo mordaz.

 

Mestre chapeleiro, não gosto de aniversários, desnecessários,

Comemoro a vida todos os dias !

 

Sempre apressado;

quem vê a vida da metade estatística dela vive essa síndrome do Coelho

 

Abre-se minha saia (se eu usasse uma)

E me vejo no espelho:

Onde eu subia, eu caio

Onde era azul, sou vermelho.

 

Como que caído no buraco do Espelho

Num mundo Alice de uma nonsense imaginação tão cheia

Sou todo espanto, aprecio ser estranho !

sábado, 6 de março de 2010

Economia e Vida

NEM PRECISO DIZER PARA OS MEUS LEITORES QUE MINHA VISÃO DA RELIGIÃO É MAIS CRÍTICA QUE DEVOCIONAL. MAS NÃO POSSO NEGAR QUE ALGUMAS AÇÕES RELIGIOSAS SÃO LOUVÁVEIS E QUE EXISTEM PESSOAS MUITO BEM INTENCIONADAS EM TODAS AS RELIGIÕES. UMA DESSAS INICIATIVAS LOUVÁVEIS É A CHAMADA CAMPANHA DA FRATERNIDADE A RESPEITO DA QUAL RECEBI UM INSTIGANTE TEXTO DO MEU PRIMO-IRMÃO, FABIANO CALDAS GOES, O QUAL TENHO O PRAZER DE PUBLICAR AQUI NO NOSSO ESPAÇO. ESPERO QUE GOSTEM !

Fabiano Caldas Goes

“Não é bom que o homem esteja sozinho”, pensou Deus, ao constatar que todas as regalias do Paraíso eram ínfimas perante o dissabor de uma vida solitária (Gn II, 18). Como atesta a música de Paulinho da Viola: “Solidão é lava que cobre tudo”. Por isto Deus nos indica outro caminho: a congregação. Sua vontade é que se estabeleça uma só casa para todos (oikoumene – ecumenismo = casa comum) e que nela habite “um só povo e um só rebanho” (Jo X, 16), dissipando-se as estranhezas que nos afastam. Afora isto, é necessário que o povo de Deus rivalize menos, pois as calamidades que afetam a vida humana requerem nosso empenho conjunto. Neste contexto, a Campanha da Fraternidade Ecumênica emerge como um movimento de suma relevância: ela nos convida a abolir entraves e volver nossa atenção para questões muito mais urgentes do que nossas concepções doutrinárias.

Economia significa literalmente lei da casa (oikos = casa e nomos = lei). A casa é o próprio planeta Terra e a lei são os dispositivos que buscam subvencionar a existência em seu seio. Há um bom tempo estes dispositivos se tornaram ineficazes, deixando a casa sob o temor da ruína. No entanto não podemos vê-la desabar e permanecer indiferentes, como se nós e ela não estivéssemos visceralmente imbricados. Adão (do hebraico Adamá = nascido da Terra) dá uma boa perspectiva de nossa vinculação com a casa. “Nascido da Terra” designa não apenas o nascimento individual de Adão, mas sim o surgimento de toda a humanidade: gestada no útero da Terra. Nossa ligação com ela (Gaya = Terra) é muito mais do que formal: é um vínculo de parentesco e em patamar filogenético – remete a nossa origem mais tenra. Porém, se por um lado podemos usar legitimamente o termo mãe-Terra, por outro devemos admitir que nos revelamos filhos pouco zelosos e péssimos guardiões da Criação.

Gaya já está em idade avançada (por volta de seis bilhões de anos) e todas as inconveniências do envelhecimento são perceptíveis em sua face, graças a um histórico de maus-tratos reiterados. Seus infortúnios provêm do descaso massivo e da ambição insana que inebria a muitos – dentre estes, numerosos cristãos –, inobstante a advertência de Cristo: “Cuidado! Guardai-vos de toda ganância; não é pelo fato de um homem ser rico que ele tem a vida garantida pelos seus bens” (Lc XII, 15). Embora sejam paulatinamente mais vigorosos os clamores da Terra (tsunamis, maremotos, terremotos, abalos sísmicos, enchentes, etc.), a marcha consumista-destrutiva prossegue irreprimível e, gradualmente, a espécie humana se transforma em uma raça ecocida – letal para todo organismo vivo.

Ladeado a tudo isto, difunde-se uma visão de progresso individualista e anti-humanitária, versada em transformar pessoas em criaturas acéfalas, propensas a compactuar com toda sorte de abominações que resulte em lucratividade. A cultura do dinheiro é apoteótica. Sob o jugo do sistema econômico ela se converte em um crucial mecanismo de difusão e preservação do status quo errático: inferioriza a importância dos seres humanos e prioriza o ideário financeiro. Ressalve-se que no ano de 2008, instituições bancárias receberam R$ 35 bilhões de países ricos, preocupados com a ameaça de falência que as perscrutava. Em contraposição, países pobres cooptaram apenas R$ 4 bilhões, no transcorrer de cinqüenta anos. Isto é, o sentimento caritativo para com os bancos foi nove vezes mais pujante.

Diante de tudo isto, urge mudanças substanciais. Durante a quaresma ecoa um especial chamado a conversão. Porém, hoje, este chamado não é feito somente pela Igreja: ele é oriundo também da ciência e não se restringe ao tempo da quaresma. Ao seu estilo, religiosos e cientistas pregam sobre a salvação e propõem mudanças de atitude. Etimologicamente, salvação e saúde possuem o mesmo significado: firmar mentalidades mais propícias à vida (salute). O primeiro passo consiste em revitalizar-se a dimensão samaritana perdida (ou nunca existente), isto é, temos que estender a mão aos que estão caídos à beira do caminho. As escrituras decretam: “Suportai-vos uns aos outros” (Cl III, 13). Com isto elas não solicitam mais tolerância de nossa parte, mas sim que sirvamos de suporte uns aos outros, de maneira que as vicissitudes não esmoreçam nossa trajetória existencial. Nos tombados pela vida reside Cristo, invocando nossos cuidados. Dom Helder Câmara disse que “é uma heresia não reconhecer Cristo na hóstia consagrada bem como é uma heresia não reconhecê-lo naqueles que padecem”.

Se encarnado de fato, o tema desta Campanha (Economia e Vida) nos arremessará a um ofício profético: dar a conhecer que Deus não se acumplicia com o esquema perverso que ocupa o trono da lei da casa. Há um livreto intitulado Manifesto Comunista, de autoria de Marx e Engels, onde o proletariado é instigado a se rebelar contra o despotismo da classe burguesa. Analogamente, a Palavra de Deus nos insta a uma batalha ferrenha contra a alienação tirânica que infesta este mundo, dizimando as maravilhas da Criação e relegando milhões de seres humanos a condição de insignificância. É nosso dever denunciar as estruturas injustas da sociedade e resistir à sedução estupefaciente que a cultura do consumo obsessivo, da destruição planetária e do egoísmo individualista consegue exercer sobre as pessoas. Unidos, resistiremos com muito mais veemência. Encerro, lembrando que a palavra diabo vem do latim diabolus e pode ser traduzida por divisor. A desagregação é uma moléstia “diabólica” que pulveriza nossas forças e faz nossos desígnios parecerem inalcançáveis.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O canto de Apuam-bam. Parte I

Tupua-bam do alto da grande arvore vigiava os homens
e os cutucava com a sua longa vara
lembrando das responsabilidades da vida
dos pecados da carne e
fazendo-os seguir em frente.

Mas Tupua-bam era sozinho
e se enfastiou desse seu destino de deus.
Lançou um longo lamento pelo caminho
e Apuam-bam apareceu.

Passando de galho em galho Apuam era uma deusa-fêmea
de poderes desconhecidos.
O que se sabe é que o seu corpo escorria pelas folhas
e seu cheiro misturou o cheiro de todas as coisas
e sua imagem era como a luz
e Tupua-bam foi ficando molinho.


E o homem que saiu de casa pra roubar achou que era difícil,
esticou a mão mansinha, tocou na campainha, e pediu comida !
A mulher madura ia praguejar contra os vagabundos mas achou mais fácil
encher o prato e dar. Gostou tanto que deu para o carteiro, abraçadinhos... Homem de sorte, foi o primeiro que chegou.


E o carteiro esqueceu as cartas. E as notícias ruins não chegaram no dia.
E as pessoas que não ficaram tristes não choraram. As que não ficaram alegres
não foram comemorar, como se agora, que Apuam-bam reinava na floresta, os sentimentos
pudessem ficar para serem sentidos outro dia.

E todos se olharam por horas, esticaram as mãos para tocar,
uns outros beijavam lentamente, falavam baixinho amenidades, para não
acordar os pássaros que, agora, destemidos, dormiam nos beirais das janelas.

As crianças sonavam dando com a sua plácida calma uma sugestão aos
velhos que também iam ficando molinhos.

Ninguém lembrou de ligar a tv, nem barulho de radio se escutou
no dia, só o sol brilhando o cal das paredes e o canto dos ventiladores.

Era Tupua-bam fazendo a corte de Apuam-bam, querendo fazer brincadeira.
Era Apuam-bam, faceira, escorrendo em torno do deus, louca pra se entregar
mas gozando a prévia alegria de encantar o macho só pra dar ao mundo um pouco
do mel da sua preguiça.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Temporaneidade

Daqui a cento e cinquenta anos todos os que conheço estarão mortos,
Extinta estará a raça “dos meus conhecidos”
Morto estará o meu filho mais novo
Morto estarei eu, meus pais, meus amigos...

Daqui a cento e cinqüenta anos a mulher mais bonita de agora será tão-somente um
monte de ossos e isso é um grave argumento... (Há, como admiro as mulheres !!)

O que se matou por dinheiro e o que por amor se matou serão ambos dois esqueletos,
brancos por uma angústia branca de cemitérios.

Daqui a cento e cinqüenta anos todos os sons que enchem meu mundo serão sons fantasmas...
Branca será a alegria das nossas crianças e branco será também nosso choro e desespero, quando visto em vídeotape por algum habitante do futuro...

Essa temporaneidade nos faz prisioneiros do nosso tempo enquanto revela que a ele não pertencemos, nem a ele somos destinados, nos torna construtores do futuro de gente que não conhecemos, de fantasmas de um devir que, inexoravelmente, será passado...faz de tudo um exercício vão, sem sentido: um monte branco de pó varrido por um sopro forte...dá a impressão de não sermos mais que nada, nos traz um medo profundo da morte...

Então como viver, pobre fantoche, num mundo que não é nosso ?
Tentarei esquecer,
ver as estrelas,
e AMAR o mais que eu posso !

(Dedico essa poesia a todas as pessoas que sofreram a tragédia do Haiti e de todos os Haitís diários, próximos e distantes. E aquelas que, longem da tragédia, vivem a tragédia de vê-la sem vivê-la como tragédia de todos nós...)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Molinho...

Minha irmã,
minha menina,
minha sina,
amante,
paixão.

Temos nosso sistema e
nossa loucura:
O ópio que escorre das mãos,
a música que carregamos nos ouvidos,
o gosto da boca,
o cheiro inundando os sentido,
deixando o mundo tão simples.

O corpo ficando molinho, molinho...

Minha irmã,
meu convexo,
meu sexo,
loucura minha.

Temos esse ópio das palavras,
anestésico,
essa meia luz da sala de estar.
Temos um ao outro
e isso faz o mundo parecer
tão simples...

Mas é preciso acordar !
As coisas em volta, em redemoinho,
exigem seu lugar,
exigem caminhar,
mas meu corpo está molinho, molinho...

Eu queria só ficar,
ao teu lado,
calado.
Temos nosso sistema, nossa loucura
a sala escura,
e o corpo...
molinho !

Gois Jr.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Brincadeira de menina !


Menino não entra !
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