Hoje vou postar uma daquelas “conversas” que tenho sempre com o meu amigo Leo Vinceda pelo FAX. Fax ? Isso mesmo... dentre as excentricidades desse grande cara está a sua fixação pelo aparelho de FAX que ele acha que ainda é a última novidade tecnológica do planeta, haha. A vezes ele me manda longos FAX (é, eu ainda tenho um FAX também...) e coloca embaixo: "depois de ler responde pelo fax", hahaha. E eu respondo ! O de hoje era assim:
"Caro Gois, por que as mulheres casadas vão ficando a cada dia mais "sem graça" ?. Não digo "sem graça" no sentido de desinteressantes física ou sexualmente não, mas no sentido de ser tornarem "incapazes de rir da vida".
Que suplício será este que é o casamento que deixa nossas ex-garotas felizes donas de casa carrancudas quando na verdade nada é melhor na vida que a cumplicidade de rir "com o outro". Eu e Tereza, você sabe, éramos bons nisso.
Bem, como sei que o amigo é curioso vou logo ao assunto. Fui a um cinema româtico com Teresa ou, pelo menos, era para ser romântico. O filme falava sobre um garoto "punheteiro" que tem uma vizinha "boa pra cacete".
Entorpecido pelo sal da pipoca soltei a pérola: "Ha, por que eu não tenho a sorte de ter uma vizinha dessas...". Vixi, o mundo veio abaixo. A Tetê se pudesse parava a fita naquela hora mesmo, acendia as luzes, matava todos da primeira fila, isso tudo só pra mostrar pra mim o quanto estava com raiva. E foi logo começando:
- Leo, sabe o que você é ? Um canalha... canalha, canalha...
(O casal da fila atrás da nossa dá sinais de interesse na nossa conversa...)
- Como você diz uma coisa dessas ? Não vê que essa menina é quase da idade da nossa filha ? Você queria que ela fosse nossa vizinha pra quê, pra ficar olhando pra ela e (abaixando a voz...) ficar se masturbando é ?
- Porra Léo ! (Momentos de silêncio e uma cara que, mesmo na penumbra do cinema, dava pra ver que representava uma indignação comparável a ela ter me encontrado no meio do cinema tendo relações sexuais explícitas com a atriz e com a irmã mais nova da personagem, que tinha apenas sete anos).
Fiquei, sem fala. Essa, amigo, já lhe disse, é a minha grande fraqueza de espírito: nos piores momentos eu “travo”. Falei baixinho, bem baixinho mesmo pra ver se acabava a conversa.
- Amor, eu faço um comentário bobo e você faz esse escândalo. Se for por isso não posso mais fazer uma brincadeira com mulher nenhuma pois as novas são quase da idade da Tita, as maduras são quase da sua idade e as velhas, quase da idade da mamãe, credo !
A resposta veio quente:
- Isso mesmo seu pedófilo, porque você não faz uma brincadeira dessas com uma mulher da nossa idade ?
Antes de responder fiz um pequeno exercício mental e pensei no mesmo comentário mas agora me referindo à personagem que era mãe da moça gostosa e... putz... outra pérola, respondi:
- Por que, bem, com alguém da sua idade não tem graça !
Ai, amigo, pense num furacão ensandecido....
(O casal da fila de traz parou de ver o filme e agora os dois apenas fazem comentário baixinho enquanto no encaram...)
Ela começou o plano B que consiste em me deixar sem graça (além de envergonhado e humilhado...). No caso a tática consistia em ficar resmungando “quase alto” num cinema com 500 outras pessoas “quase caladas”. E eu digo “quase caladas” pelo fato de que a essa altura do campeonato toda as seis filas ao nosso redor já estavam concentradas no desenrolar das imprecações injuriosas que ela soltava.
- Há, essa tua mãe vai saber. Tua mãe e tua filha... vão saber quem você é na verdade. Ao invés do santinho, bonzinho... é um pedófilo enrustido. Do pior tipo... que é daqueles que parecem santinhos e um dia matam a família toda e fogem com a empregadinha de 17 anos. Louco... louco...
(Bem, acho que não era eu quem tava parecendo um louco mas... a verdade é que fiquei mesmo triste e diante da impossibilidade de teletransportar os meus quase cem quilos daquela cadeira para a tranqüilidade de uma cela fedorenta em algum presídio de segurança máxima resolvi contra-atacar o que, no meu caso, significa sempre me humilhar.
- Amor, sei que errei, fui grosseiro. Essa foi uma brincadeira de mau gosto da qual me arrependo muito... para com isso todo mundo ta olhando. Vamos esquecer essa coisa.
- Haaa..., é só falar que vou contar pra sua mãe e pra sua filha que você vem logo se humilhando.
Finjo que ela ta certa, isso sempre funciona:
- É amor, mamãe tá velha, não sei se ela ia suportar...
Ela começou a acreditar que aquela era uma “humilhação verdadeira” do tipo que ela adora. Sua face mudou e se sorrir fosse permitido ela teria sorrido naquele momento. Mas sorrir não era permitido pois a vida é uma coisa séria e homens velhos não podem fazer brincadeiras de mau gosto com garotas quase da idade da filha pois isso é pedofilia, incesto, excomunhão, carrapato, pesticida e tudo mais que for de ruim tudo junto.
Ela fez uma cara de freira então diante de um pecador e eu fiz uma cara de pecador diante de uma freira. (Nessa hora a personagem começou a tirar roupa numa cena mais quente e eu mais que depressa virei a cara ruborizado diante daquela devassidão...).
Saímos do cinema sem trocar palavra sobre o acontecido. No carro senti vontade de contar uma boa piada, daquelas que fazem qualquer um sorrir. Mas achei que era bobagem, minhas piadas são sempre de mau gosto, você sabe disso. “
Esvasiamar
-
Esvaziar
Descer até o fundo
Não saber quando dá pé
Tocar o chão pra impulsionar
Sem precisar tocar
No processo, na subida
Não precisa encher o peito ...
Há 2 meses


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