MatracaDigital é um uma idéia, que ganha corpo e mente pensante em todos aqueles que amam o Maranhão, sua cultura e a sua gente. Nasceu como um projeto que visava enfatizar os laços entre a cultura popular maranhense e as tendências contemporâneas da arte no mundo. Em 2005 e 2006 foi um um programa de televisão. Já foi exposição fotografica, já foi festa, poesia e música e será sempre mais e mais... pois matracadigital é uma idéia... e uma idéia é tudo !
terça-feira, 2 de julho de 2013
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Palhaço
Jurei não mais seguir teus passos, que sei serem enganosos. Não me venha com piadas agora !
Sei que te acostumastes a me ver assim, pau mandado do desejo. Mas será que não notas que já é chegada a hora de parar com as brincadeiras ? Que já cai demais, que já sofri tanto com tuas asneiras que as vezes não posso ficar nem de pé ?
Ontem precisei ligar 190, chamar o SAMIGOS, estes sim, equipe de fé. Prescreveram doses homeopáticas de vinho tinto e blues na veia. O caso era grave, tive que ser removido para o bar mais próximo. Melhora geral, recuperação positiva após sessões de musica boa e cebola empanada, santo socorro de urgência.
Mas hoje, passado o efeito paliativo do tratamento, uma espécie de socorrão sentimental, vem você, coração, com as suas sopinhas. Não, não quero. Hoje nada de escrever poesias ! hoje eu quero uma prosa direta, palavra concreta, nada, nada de melodia, por favor, coração, pare !!
Porque, coração, esse duelo tão cruel com a razão ? O que perdes tu se ela um dia ganhar uma batalha ?
Serás, então, por acaso, menos coração ?
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
MALDADE
Tu podes compreender minha dor
Eu posso entender tua maldade
Eu pago teus erros com amor
tu pagas meu amor com saudade
O cravo brigando com a flor
não conhece o que é felicidade
Eu pago teus erros com amor
tu pagas amor com maldade
Vivemos vivendo uma dor
que grita meu nome: covarde!
Covarde !
Covarde !
Covarde !
Tu entende os meus erros de amor
Mas pra conhecer o amor, já é tarde !!
domingo, 15 de janeiro de 2012
LEVA
essa palavra mais torta,
minha natureza mais morta,
e essa pausa antes da ultima frase não dita.
Leva o meu manual de poemas,
e a minha lista de temas,
faz o que quiseres com ela.
Leva uma cor do meu dia,
comida da geladeira,
O que for preciso para não te sentires sozinha,
migalhas juntadas da nossa cozinha,
digitais no teu corpo suado,
meu sorriso estampado num quadro.
Leva, por fim, em tua boca, o meu gosto mais forte
o sabor o meu melhor corte,
do pedaço mais agridoce de mim.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
NINHO DE PALAVRAS
brinde a nossa amizade
mas recomendas,
com incrível maldade,
que seja um poema singelo.
Obstinado me ponho a caçar o belo
com ele fazer tua prenda,
que quero que te surpreenda
e seja igual ao meu carinho.
Almejo a
beleza da pequena flor,
a tinta do céu,
asas de passarinho,
cheiro de cravo e canela,
pensar em coisas belas,
juntar palavras
como num ninho.
Uma cor,
um brilho,
uma palavra,
tudo que traduz beleza e graça.
Pétalas,
azul,
e poesia,
tudo que nos traz alegria.
Teu sorriso aberto,
quero ter sempre perto,
possibilidade da tua presença.
Por fim,
queria soar esse poema com delicadeza,
entoa-lo como fosse um hino,
mas diante da tua beleza
minha boca parece um sino.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Maior loucura !
Sabe qual minha maior loucura ?
Que me arranca da cama em noites de lua, que abre a janela, que move minhas pernas, que me assanha o cabelo com o vento da rua ?
Você certamente não sabe... e, em verdade, nem eu sei bem ao certo...
Penso que durmo quando estou desperto, penso que vivo enquanto apenas sonho....
Mas, às vezes, tenho um medo medonho de vivendo morrer ou morrer vivendo...
Sabe qual a minha maior loucura ?
Você, certamente, não sabe...pois, em verdade, ninguém sabe de nada....
É que em noite lua a humanidade sonha acordada, desperta, corre às janelas, desce por cordas de sobre as sacadas, afunda os pés na areia dalguma praia encantada donde a lua parece maior, mais bela, prateada....
Sabe qual a minha maior loucura ?
É que às vezes, em um sonho, sinto como se estivesse acordando da vida....
Gois Jr, em outubro de 2000.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Salvas
Salvas de palmas para uma mão na outra
Para os dedos entrelaçados
Para dois corpos lado a lado.
Aplausos a toda saliva trocada
A toda palavra disparada de uma boca, como uma flecha, em busca de ouvido carente.
Tiros de canhão e urras para os lábios colados
Para o algodão do afeto sobre todas nossas feridas da alma
Aos dedos que correm, com calma, para transmitir conforto ou para lembrar que amam.
Nosso choro convulsivo em honra das mais augusta das magias
- e o mais esquecido ponto de todas as ciências -
ao magnetismo, à força, à gravidade, à entropia
ao maior de todos os encantos:
um ser humano diante de outro ser humano !
Seja na hora do tiro,
Seja na hora do beijo.
Seja na hora do gôzo,
seja na hora da dor.
Ninguém escapa ileso da presença do outro,
ninguém sai incólume das garras do amor !
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Balada da mulher-lycra versus o homem-bomba.
domingo, 25 de julho de 2010
FILME
Hoje está passando um filme de terror
Para sair nas ruas mantenho os olhos bem abertos
Para fugir tenho pés sempre espertos
Por que, hoje, está passando um filme de terror.
Hoje está passando um filme de terror
Velhos fantasmas me mantêm desperto
Este cinema me parece tão deserto
(Parece não haver ninguém por perto)
- E eu nem ouso olhar em volta para saber se tem -.
Hoje está passando um filme de terror
De repente uma voz no autofalante
Meu coração para por um instante
Pois está passando um filme de terror.
Uma imagem surge na tela
e minha alma então congela
Pois está passando um filme de terror.
Mas a voz que ouço então é tua
E na tela estás solta e bela
E tua presença vai dissolvendo o escuro.
Hoje tá passando um filme de terror
Mas teus poemas desfazem o medo
Guardo teus versos em segredo
Como um exorcismo qualquer
Pois, hoje, ainda está passando um filme de terror.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
SOMBRA
domingo, 25 de abril de 2010
E por falar em Alice…
ALICE !
Como que caído do buraco do Coelho
Num mundo nonsense de uma Alice de imaginação tão cheia
Sou todo estranho; aprecio ser espanto !
Pintor de quadros realistas
Fotografo de fotos surreais
Advogado artista
Aprendiz dos meus filhos
Mestre dos meus pais
Poeta lírico num tempo de poesia concreta
cético com pensamentos transcendentais
Romântico obsceno
Um adversário ameno,
Um amigo mordaz.
Mestre chapeleiro, não gosto de aniversários, desnecessários,
Comemoro a vida todos os dias !
Sempre apressado;
quem vê a vida da metade estatística dela vive essa síndrome do Coelho
Abre-se minha saia (se eu usasse uma)
E me vejo no espelho:
Onde eu subia, eu caio
Onde era azul, sou vermelho.
Como que caído no buraco do Espelho
Num mundo Alice de uma nonsense imaginação tão cheia
Sou todo espanto, aprecio ser estranho !
sábado, 23 de janeiro de 2010
Temporaneidade
Extinta estará a raça “dos meus conhecidos”
Morto estará o meu filho mais novo
Morto estarei eu, meus pais, meus amigos...
Daqui a cento e cinqüenta anos a mulher mais bonita de agora será tão-somente um
monte de ossos e isso é um grave argumento... (Há, como admiro as mulheres !!)
O que se matou por dinheiro e o que por amor se matou serão ambos dois esqueletos,
brancos por uma angústia branca de cemitérios.
Daqui a cento e cinqüenta anos todos os sons que enchem meu mundo serão sons fantasmas...
Branca será a alegria das nossas crianças e branco será também nosso choro e desespero, quando visto em vídeotape por algum habitante do futuro...
Essa temporaneidade nos faz prisioneiros do nosso tempo enquanto revela que a ele não pertencemos, nem a ele somos destinados, nos torna construtores do futuro de gente que não conhecemos, de fantasmas de um devir que, inexoravelmente, será passado...faz de tudo um exercício vão, sem sentido: um monte branco de pó varrido por um sopro forte...dá a impressão de não sermos mais que nada, nos traz um medo profundo da morte...
Então como viver, pobre fantoche, num mundo que não é nosso ?
Tentarei esquecer,
ver as estrelas,
e AMAR o mais que eu posso !
(Dedico essa poesia a todas as pessoas que sofreram a tragédia do Haiti e de todos os Haitís diários, próximos e distantes. E aquelas que, longem da tragédia, vivem a tragédia de vê-la sem vivê-la como tragédia de todos nós...)
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Molinho...
minha menina,
minha sina,
amante,
paixão.
Temos nosso sistema e
nossa loucura:
O ópio que escorre das mãos,
a música que carregamos nos ouvidos,
o gosto da boca,
o cheiro inundando os sentido,
deixando o mundo tão simples.
O corpo ficando molinho, molinho...
Minha irmã,
meu convexo,
meu sexo,
loucura minha.
Temos esse ópio das palavras,
anestésico,
essa meia luz da sala de estar.
Temos um ao outro
e isso faz o mundo parecer
tão simples...
Mas é preciso acordar !
As coisas em volta, em redemoinho,
exigem seu lugar,
exigem caminhar,
mas meu corpo está molinho, molinho...
Eu queria só ficar,
ao teu lado,
calado.
Temos nosso sistema, nossa loucura
a sala escura,
e o corpo...
molinho !
Gois Jr.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Escute o poeta !
Olha como o poeta sabe o que fala,
o que a gente quer,
o que a gente quis.
Olha o poeta, ele já viveu todas as nossas vidas,
traz no corpo as nossas feridas tanto e de tal modo que, às vezes,
dá até medo.
Contra o poeta não há esconderijo,
ele espreita cedo nas ondas do rádio
quase fala o teu nome quando canta o amor,
sabe o teu cic, teu cfp, teu endereço,
só o poeta entende a tua dor.
Amor, escuta o poeta, fala com ele em cada música que se espalha no chão.
Abre teu peito,
solta teu corpo,
te joga no escuro,
perde a razão.
- O poeta é quase nosso irmão ! -
O poeta nos faz sentir menos sozinhos.
Essa dor que o poeta ostenta também nos pertence.
Ele fala por nossas bocas “roucas de tanto calar”.
Portanto, se a dor no peito é forte, se o teu ventre gela e a cabeça não para, então seus problemas acabaram: consulta o poeta !
Nem todos os médicos e seus cilindros de ópio, todos os doutores e estetoscópios entendem tanto de dor quanto o poeta.
Nem mesmo os estetas com a sua beleza, nem os santos com a sua pureza, os ascetas com toda a sua calma entendem como o poeta das coisas da alma, trilham tão seguros nas sendas do amor.
Os cientistas e suas tabelas, os magos que jogam o tarot, as mães por mais sábias e belas, ninguém entende a paixão quanto entende o poeta, eu juro !
É preciso loucura. Só os poetas sabem.
É preciso entrega. Fechar os olhos.
Depois da próxima curva todos com os braços pra cima, a queda é de 90 grauuuus.... huuuuuuuuuuuuuu – montanha russa !
As mães sempre nos preferiram montados nos cavalinhos,
mas não o poeta !
O poeta está lá... é ele que nos sopra os cabelo, é ele que segura aquele gelo nas nossas barrigas é o poeta que fecha nossos olhos e nos faz acabar de rir, que nos dá medo e prazer.
Amor, por favor, escuta o poeta !
Gois Jr.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
DIAMANTE
"Veja os pombos no asfalto, eles sabem voar alto, mas insistem em comer as migalhas do chão..."
(Zeca Baleiro)
DIAMANTE
SOU UMA PEDRA SEM VALOR DEITADA NO CANTO DA COLINA , CINZAS DE DIAMANTE, SULCOS DE SEIXOS, GRÃO DA MIGALHA, MEIO AMANTE RESTANTE . NO FOGO , DIAMANTE; E TUDO FAÇO PELO AMOR , MAS A CADA INSTANTE , VIRO PEDRA , VIRO A CINZA CEGA DEITADA NA DOR- DIAMANTE DE AMANTE QUE SOU
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Perfeição
Se houvesse perfeição, eu te digo,
quem deveria chorar eras tú,
que não soube amar !
Eu chamaria meus irmãos,
se houvesse perfeição,
os convidaria a festejar !!
Se houvesse no meu coração algum tino,
agradecia ao destino que me separou de ti.
Dormiria a noite como um menino,
pois não fui eu
quem não soube amar…
Se houvesse perfeição, eu te digo,
ficaria feliz em não saber nada,
mandaria rezar uma missa,
pagaria uma promessa,
oferecia aos deuses sacrifício…
Se houvesse perfeição,
amar nunca seria um vício,
e quem se entregasse ao amor
seria proibido de sofrer….
Gois Jr. Jan 2010.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
SAL
calmas demais,
com seus sons espectrais vindos de todos os tempos do mundo.
O mar de um ruido branco profundo,
os passaros que cantam distante,
o espectro dos poetas-amantes,
materializando-se no autofalante,
pra me dizer a inegável verdade:somos todos iguais e covardes,
nas eternas e insossas tardes vazias.
Malditas tardes de domingo,
calmas demais,
como um apreensivo perigo,
como um longo castigo,
como se o mar no seu rouco ruido profundo,
só fizesse lamentar o amor não vivido.
Malditas tardes de domingo,
secas demais,
pois todas as lagrimas já foram jorradas,
num rio que nos levou ao nada e que deixou esse leito enorme e vazio
que se estende tal qual um larga ferida,
aberta, latente,
sofrida,
mil vezes lambida
na minha busca de sal...
Gois Jr - Janeiro de 2009 !
sábado, 2 de janeiro de 2010
Intertexto
Nada terminou quando se deu o fim.
Que foi apenas o reencontro da dor,
tão companheira e tão constante,
tão amiga, quase amante.
Reencontro com a saudade, que faz tudo mais presente.
E nada terminou quando se deu o fim
pois a vida se tornou um intertexto desse amor:
viver, agora, é lembrar !
Gois Jr. 2010.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Toda a verdade
"Depois de toda tempestade vem a bonança!"
Mas não falou toda a verdade:
pois é depois de toda bonança
que vem a tempestade !
Gois Jr. dez 2009.
domingo, 29 de novembro de 2009
Vazio...
Sem você nada está completo!
Essa casa tem paredes, móveis, tem teto; mas sem você está vazia.
Há um espaço neste recanto que somente o teu encanto pode preencher.
Ouço um vazio que te reclama num coro de chorosas vozes que vêm de tão dentro de onde vivo
que o meu próprio peito resta VAZIO....
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